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Acesso Restrito

Notícias

10/09/2011 às 15:13:44 (8 mêss atrás)

Gotan viaja de Cortázar a Lady Gaga

A dramaticidade do bandoneón unida aos altos e baixos da batida eletrônica são a principal marca do trio franco-argentino Gotan Project, mas nem de longe sintetizam a multiplicidade de ritmos do grupo. No palco da Mostra Internacional de Música em Olinda - MIMO, montado na Praça do Carmo, o Gotan Project arrastou uma multidão para apresentar um verdadeiro espetáculo na última quinta-feira. A instigante música foi acompanhada por projeções no telão atrás do palco, que mais parecia uma cortina de clube de tango. Imagens sensuais de dançarinas e dançarinos se misturavam a cenas típicas de Buenos Aires.

O trio formado pelo francês Philippe Cohen Solal, o argentino radicado na França Eduardo Makaroff e o suíço Christoph H. Muller ganha, no palco, o reforço de mais quatro músicos, sendo um deles a cantora argentina Claudia Panonne. O repertório não se prendeu ao último disco, com várias músicas de Lunático, lançado em 2006. Um dos pontos altos foi a execução de La gloria, com letra narrada como se fosse uma partida de futebol - e popular porque está na trilha sonora da novela das 7. O grupo fez uma homenagem ao escritor argentino Julio Cortázar em Rayuela e há quem tenha escutado acordes de Morena tropicana no violão do grupo. Certas mesmo foram as inserções de blues, samba, bossa nova e Lady Gaga, com Bad romance.

Outros palcos
Mais cedo, na Catedral da Sé, o maestro Arthur Verocai fez um dos show mais surpreendentes do festival. Apesar de ser brasileiro e estar entre as atrações principais da MIMO, pouca gente o conhecia, até porque ele tem somente um disco solo, lançado em 1972. Seu nome nunca aparecia na mídia, mas apenas nos créditos de arranjos de álbuns de Tim Maia, Milton Nascimento, Ivan Lins e outros grandes nomes da MPB. Nos últimos dois anos, contudo, sua obra foi redescoberta por DJs e cantores de rap da Europa e dos Estados Unidos.

Outro ótimo show foi apresentado um pouco antes, no Seminário de Olinda, quando o trio Azymuth mostrou como se faz um excelente jazz-funk-samba-soul com um virtuosismo espontâneo. Já na parte recifense do festival, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos ficou lotada para o show de Arrigo Barnabé, que apresentou arranjos para dois pianos de músicas do álbum Clara Crocodilo. Em certa parte do show, Paulo Braga saiu do palco e Arrigo, sozinho, apresentou valsas e modinhas de sua autoria. O público aplaudiu tanto que houve o bis.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Andre Sampaio/Santo Lima

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